Child of Illusion

Cover

CHILD OF ILLUSION
Chris Pitsiokos – alto sax
Susana Santos Silva – trumpet

Torbjörn Zetterberg – double bass

Susana Santos Silva and Torbjörn Zetterberg have been working together since 2012, when they recorded their first duo album “Almost Tomorrow”.
After that many other collaborations have followed and in December 2017 they met NY based saxophonist Chris Pitsiokos in Stockholm, where they recorded an album that will be released later this year on Clean Feed records.

Child of Illusion’s music is chamber-like, informed by their musical background that spreads over a myriad of different aesthetics, full of colourful nuances and beautiful interplay.

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REVIEWS

A improvisação total, ou seja, a música feita sem qualquer acordo prévio entre os músicos que não o de confiarem uns nos outros, é frequentemente tida como uma música difícil de seguir, espinhosa, acre. O facto de os músicos abdicarem de convenções em relação à melodia e ao ritmo e de comporem os elementos musicais no momento, ao mesmo tempo que os interpretam, gera por vezes uma música pica-miolos, imprópria para o grosso da sociedade. Isto foi sempre assim: o bebop foi agressivo para os fãs do swing e o modal de Coltrane impenetrável para o bopper. Contudo, a música totalmente improvisada não é, como o “jazz populi” crê, desprovida de estrutura, ritmo, melodia e, até, “groove”…
O novo disco de Chris Pitsiokos, Susana Santos Silva e Torbjörn Zetterberg é um excelente exemplo de como é possível fazer alguma coisa do nada. Essa alguma coisa é uma música simpática, quente, swingante e cheia de combinações entre os músicos, com estes a desenvolverem as ideias uns dos outros. O contrabaixo de Torbjörn está ao mesmo nível dos sopros e isso dá à música uma apresentação particular em que o instrumento grave não sustenta e ritma: é uma voz grave num trio com dois metais agudos, que tocam magnificamente, com um enorme sentido e com beleza, sendo capazes de permanentemente se ouvirem e de tirarem o melhor do conjunto. Sinergia por definição.
Santos Silva é hoje um dos mais internacionais músicos portugueses, a viver em Estocolmo, com um merecido reconhecimento no panorama do jazz europeu e norte-americano. Tem um modo de tocar quente, humano, melodioso e é capaz de se adaptar com uma rapidez incrível aos mais diferentes universos sonoros e de intuir e responder em micro-segundos àquilo que está a ser proposto pelos outros membros. O nova-iorquino Chris Pitsiokos é um dos melhores altistas da actualidade, um saxofonista excelente que tem sido capaz de ocupar um lugar importante em vários mundos musicais, de Peter Evans a Lydia Lunch. O sueco Zetterberg é também uma referência e destaca-se como líder dos Hot Five, que incluem os sopros de Jonas Kullhamar e Per “Texas” Johansson.
A música do trio anda devagar. Desenvolve-se com calma e com um grande sentido melódico. Por vezes tosse e é feita de coisas pequenas, de interjeições. Mais frequentemente, agarra em ideias melódicas ou em acontecimentos (agudos, ritmos, respirações) e as músicas mais longas surgem de um entendimento sobre aquele elemento. Com uma tranquilidade morna, “Child of Illusion” evolui com uma composição sofisticada e de ouvidos atentos e cultos na música do século XXI. Como se um católico fosse para o céu, sem pressas de lá chegar, a disfrutar da viagem, sem se importar muito com o destino.

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